Para os dias que não têm pressa...
Há lugares onde o tempo parece caminhar mais devagar. Pela janela, o campo se estende em silêncio, acompanhado apenas pelo canto distante dos pássaros e pelo vento que atravessa as árvores. Sobre a mesa, há também uma carta manuscrita. Aquela deixada ali por muitos anos... O papel amarelado guarda palavras que sobreviveram à pressa dos dias. Suas letras foram quase que cuidadosamente desenhadas; pequenas lembranças e sentimentos que não precisavam de pressa para serem ditos.
Talvez seja isso que nos encanta nas coisas antigas: elas não pedem urgência. Um livro pode esperar. Uma carta pode atravessar décadas. O café pode ser bebido lentamente. E uma tarde no campo pode simplesmente existir, sem precisar ser fotografada, publicada ou explicada. Há beleza em tudo aquilo que carrega marcas do tempo.
Na madeira já envelhecida, nas páginas frágeis ao toque com aroma de passado, nas flores que perderam o perfume, mas conservaram a delicadeza. Há beleza também nas histórias que permanecem, mesmo quando quem as escreveu já não está por perto.
Talvez viver seja aprender novamente essa arte esquecida: sentar-se junto à janela, preparar um café, abrir um livro antigo e permitir que algumas horas passem sem que precisemos delas para nada. Porque existem momentos que não foram feitos para correr. Foram feitos para permanecer.
C.M.Martins 💖
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