O que ficou entre as páginas...
Havia guardado uma carta dentro de um livro que já não leio, há décadas. Não porque ainda esperasse uma resposta, mas porque havia coisas que eu precisava dizer quando ainda acreditava que algumas situações precisavam de um último capítulo. O papel amarelou, a tinta perdeu um pouco da força e, com o passar do tempo, percebi que aquela carta já não pertencia ao homem para quem havia sido escrita. Pertencia a mim.
Às vezes, abro o livro apenas para encontrar a carta entre as páginas. Leio algumas linhas, sorrio de certas palavras e me surpreendo com a pessoa que fui. Havia tanta urgência naquela época. Eu queria explicar meus silêncios, justificar minhas escolhas, perguntar por que ele havia ido embora sem olhar para trás. Hoje, porém, já não tenho perguntas. Algumas respostas chegaram sozinhas, trazidas pelos anos.
Há histórias que terminam antes que estejamos preparados para aceitá-las, mas isso não significa que tenham terminado mal. Algumas apenas cumpriram seu destino. Quando dobro novamente o papel e o devolvo ao livro, sinto uma espécie de ternura por tudo o que fomos. Não desejo recomeçar. Basta-me lembrar de como terminou; e saber que, por algum tempo, fomos importantes um para o outro.
C.M.Martins💖
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