Quando a letra vira lembrança...
Existem cartas que parecem guardar mais do que palavras; guardam tardes silenciosas, o perfume de uma casa antiga, o som da chuva sobre o telhado e a lembrança de alguém escrevendo devagar, com a janela aberta para o campo.
O papel envelhece, as bordas ficam amareladas e algumas palavras quase desaparecem. Ainda assim, há algo que permanece. Talvez seja esta a intenção. Em outros tempos, escrever uma carta significava escolher cuidadosamente o que dizer. Não havia pressa para responder, nem notificações interrompendo pensamentos. Havia apenas o papel, a tinta e o desejo de transformar sentimentos em palavras.
Hoje, talvez tenhamos muitas formas de conversar e poucas maneiras de permanecer. Por isso, ainda existe algo de mágico nas cartas manuscritas. Elas carregam a personalidade de quem escreveu. A letra inclinada, a tinta mais forte em determinada palavra, uma pequena rasura, uma frase reescrita. Tudo isso conta uma história que vai além do texto.
Sobre uma mesa antiga, entre um livro de poemas e um pequeno vaso cheio de rosas, uma carta pode parecer apenas um objeto. Mas não é. É uma pequena cápsula do tempo. E quando a abrimos, percebemos que algumas palavras não envelhecem. Elas apenas esperam o momento certo para serem lidas novamente.
C.M.Martins.💖
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