A última tarde na casa antiga...
Naquela tarde, esvaziei a casa dos meus pais pela última vez. As paredes estavam quase nuas, e os cômodos pareciam maiores sem os móveis que haviam ocupado aqueles espaços durante tantos anos. Caminhei devagar por cada quarto, passando os dedos sobre algumas marcas antigas na parede, como se pudesse tocar novamente todas as pessoas que um dia viveram ali.
Na cozinha, sentei-me à mesa e fiquei alguns minutos olhando ao redor. Lembrei-me das manhãs de domingo, do cheiro do café, das conversas demoradas e da voz dela perguntando se eu queria mais um pedaço de bolo. Tantas coisas que tornam-se preciosas depois que passam. São momentos que não reconhecemos como eternos, até o dia em que deixam de acontecer.
Fechei as janelas, apaguei as luzes e coloquei a chave sobre a mesa. Antes de sair, olhei uma última vez para a sala. Senti uma tristeza profunda, mas não era uma tristeza vazia. Era cheia de amor. E percebi que não estava deixando aquela casa para trás completamente. Eu levaria comigo as tardes de chuva, os aniversários, os abraços, as discussões, as reconciliações e todas as pequenas histórias que aconteceram ali.
Desde então, a casa deixou de ser minha, mas nunca deixou de ser parte de mim. Porque há lugares que o tempo consegue retirar dos nossos caminhos, mas jamais consegue retirar da nossa memória. E quando o amor foi grande, até a ausência se transforma em uma forma silenciosa de presença.
C.M.Martins💖
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