Nossos domingos...
Os domingos foram os primeiros a mudar depois que começamos a nos perder. Antes, gostávamos de sair sem destino. Às vezes almoçávamos fora, outras vezes comprávamos alguma coisa no mercado e passávamos a tarde cozinhando juntos. Havia música pela casa, janelas abertas e aquela sensação confortável de que não precisávamos fazer nada extraordinário para sermos felizes.
Depois, começamos a ocupar o mesmo espaço de maneiras diferentes. Você assistia televisão enquanto eu lia. Eu mexia no celular enquanto você trabalhava. De vez em quando, alguém perguntava se estava tudo bem, e o outro respondia que sim. Era curioso como uma palavra tão pequena conseguia esconder tanta coisa. Sentia sua falta, mesmo quando você estava sentado a poucos metros de mim.
Tentamos recuperar nossos domingos. Fizemos planos, saímos para jantar, compramos ingressos para um espetáculo e até voltamos ao restaurante onde tivemos nosso primeiro encontro. Mas nenhuma dessas coisas devolveu o que havíamos perdido. As lembranças continuavam bonitas. O problema era que já pertenciam ao passado. Algo havia mudado.
Na última tarde que passamos juntos, começou a chover. Ficamos na varanda, cada um olhando para um lado. Lembro que você segurou minha mão e disse:
— Eu ainda amo você.
Eu respondi que também o amava. Foi talvez a conversa mais dolorosa que já tivemos, porque nenhum dos dois estava mentindo. Algumas pessoas acreditam que um relacionamento termina quando o amor acaba. Eu aprendi que, às vezes, ele termina quando ainda existe amor suficiente para desejar que o outro encontre uma vida mais leve. Naquele fim de tarde, quando você foi embora, eu fiquei na varanda ouvindo a chuva.
Após alguns meses, pela primeira vez, senti tristeza pela nossa separação, mas sem precisar transformá-la em esperança.
C.M.Martins💖
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