A última caminhada de Miguel...
Miguel tinha o costume de caminhar todas as manhãs pela mesma estrada de terra onde, muitos anos antes, acompanhava seu pai até a pequena casa da família. Já idoso, caminhava mais devagar, mas fazia questão de percorrer aquele caminho sempre que podia. Durante uma dessas caminhadas, parou diante de uma árvore alta. Uma mangueira. Quando menino, costumava sentar-se ali para descansar enquanto seu pai trabalhava. Lembrou-se de uma conversa que tiveram ali certa manhã. Seu pai havia lhe dito que uma pessoa não deveria medir a vida apenas pelo que conseguiu juntar, mas também pelo que conseguiu ensinar, amar e deixar de bom nos outros.
Na juventude, Miguel não dera muita importância àquelas palavras. Passara anos trabalhando, construindo sua carreira e buscando conquistar aquilo que acreditava ser necessário para ter uma vida bem-sucedida. Somente com o passar do tempo percebeu que as maiores riquezas estavam em outros lugares: nas conversas à mesa, nos amigos que permaneceram, nos abraços dos filhos e nas pessoas que haviam lhe ensinado algo sobre a vida, ao longo dos anos.
Sentado sob a velha árvore, Miguel sorriu. Não queria voltar no tempo. Queria apenas agradecer por tê-lo vivido. Compreendeu que a nostalgia verdadeira não é um desejo de retornar aos dias antigos, mas uma forma delicada de reconhecer seu valor. O passado não pode ser repetido, mas pode continuar ensinando. E talvez essa seja uma das mais bonitas razões para guardar nossas histórias: para que o tempo passe, sem levar consigo aquilo que realmente merece permanecer.
C.M.Martins💖
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