As tardes de Clara...
Clara costumava dizer que as melhores tardes de sua infância não tinham nada de extraordinário. Eram tardes passadas no quintal da casa dos pais, entre árvores, flores e uma cadeira de balanço. Não havia televisão ligada o tempo todo, nem celulares, nem pressa. Havia apenas o som dos pássaros e as conversas que atravessavam lentamente as horas.
Sua avó, Dona Amélia, era a personagem principal daqueles dias. Sentava-se perto da janela e contava histórias de sua juventude. Falava de bailes, viagens feitas de trem, amizades antigas e dos tempos difíceis que enfrentara. Clara sempre ouvia tudo com curiosidade, mas não imaginava que, décadas depois, sentiria tanta falta daquelas palavras.
Anos mais tarde, Clara passou a compreender a verdadeira importância daqueles relatos. Percebeu que as histórias familiares eram verdadeiramente uma ponte entre gerações. Se ninguém as contasse, muitos acontecimentos desapareceriam junto com aqueles que os viveram. Por isso, começou a registrar em um caderno tudo o que ainda lembrava.
Preservar memórias também é uma forma de preservar pessoas. Hoje, quando escreve sobre aquelas tardes, não sente apenas tristeza pela passagem do tempo; sente gratidão. Afinal, algumas épocas terminam, mas deixam ensinamentos que continuam florescendo muitos anos depois.
C.M.Martins💖
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