Uma tarde de domingo no campo...
Era domingo, e o pequeno vilarejo parecia ter decidido descansar. As janelas das casas permaneciam abertas, as roupas balançavam nos varais e o aroma de pão escapava pelas cozinhas. No sítio de sua família, Elisa escolheu um livro de poemas e caminhou até o velho banco de madeira próximo ao riacho.
Sentou-se à sombra de um enorme ipê e abriu o livro exatamente onde havia parado na semana anterior. A paisagem era deslumbrante: A água corria lentamente entre as pedras, enquanto algumas borboletas pousavam nas flores próximas. De vez em quando, Elisa levantava os olhos das páginas para acompanhar o voo de um pássaro ou simplesmente observar as nuvens. Não tinha pressa para chegar ao final. Naquele lugar, ler era também uma maneira de contemplar.
Quando sua mãe a chamou para o café da tarde, Elisa fechou o livro e colocou seu marcador entre as páginas. Ao caminhar de volta para casa, percebeu que havia passado quase três horas lendo apenas alguns capítulos. E não se arrependeu. Havia dias para terminar histórias e havia domingos para vivê-las lentamente. Naquela tarde, entre o cheiro de café, o som do riacho e as palavras de um velho livro, Elisa descobriu que algumas leituras não precisam de silêncio absoluto, precisam apenas de um lugar onde o coração possa desacelerar.
C.M.Martins💖
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