As cartas da gaveta...
Na última gaveta da cômoda havia uma pequena caixa de madeira. Dentro dela, haviam cartas escritas muitos anos antes, algumas ainda não amareladas e outras já marcadas pelo tempo. Eram palavras de pessoas que haviam partido, mudado de cidade, seguido outros caminhos. Cada envelope carregava a pequena parte de uma vida que já não existia. Certa tarde, enquanto organizava a casa, resolvi reler aquelas cartas.
Através delas, percebi uma versão mais jovem de mim: cheia de sonhos, dúvidas e certezas que o tempo havia deixado. Algumas palavras provocaram risos; outras trouxeram lágrimas. Percebi que havia esquecido o número de pessoas que haviam contribuído para que eu me tornasse quem sou atualmente. Ao guardar novamente as cartas, compreendi que o passado não precisa permanecer presente para continuar sendo importante. Há lembranças que não pedem retorno, apenas gratidão. Afinal, algumas histórias terminam, simplesmente. E talvez seja essa uma das formas mais bonitas de envelhecer: olhar para trás sem desejar voltar.
C.M.Martins💖
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