O amor que ficou no aeroporto...

Nós nos conhecemos por acaso, numa manhã de céu muito claro, quando eu ainda acreditava que os encontros mais importantes da vida precisavam de alguma explicação. Você estava sentado próximo à janela do aeroporto, com um livro aberto sobre as pernas e uma xícara de café esquecida ao lado. Eu me lembro disso com uma precisão que o tempo nunca conseguiu apagar. Naquele dia, nenhum de nós sabia que uma pessoa desconhecida poderia, algumas horas depois, se tornar uma parte tão importante da nossa história.

Nosso amor nasceu devagar. Primeiro vieram as conversas, depois os cafés, as caminhadas sem destino e aquela vontade quase infantil de prolongar cada encontro por mais alguns minutos. Você gostava de livros antigos, de cidades pequenas e de lugares onde o tempo parecia caminhar mais devagar. Eu gostava da maneira como você prestava atenção nas coisas que quase ninguém percebia. Com você, aprendi que o amor também podia morar nos detalhes.

O inesperado aconteceu! Você recebeu uma oportunidade para partir para outra cidade. Eu já tinha minha vida construída; minhas raízes, meus projetos e razões que não podiam simplesmente ser deixados para trás. Tentamos conversar sobre possibilidades, sobre distâncias, sobre o futuro. Queríamos encontrar uma maneira de caber no mesmo destino. Mas isso não aconteceu.

No dia da sua partida, fui com você ao aeroporto. Havia dentro de mim uma tristeza que mal cabia no peito. Caminhamos lado a lado pelo saguão, carregando pequenas malas e um silêncio que dizia muito mais do que qualquer conversa. Quando anunciaram seu voo, fechei os olhos e tentei guardar aquele instante inteiro: o perfume da sua roupa, o calor do seu corpo, a maneira como sua mão repousava nas minhas costas. Queria memorizar sua presença, antes que atravessasse aquela porta, que se tornasse distância. Fiquei ali observando você desaparecer entre as pessoas. Depois, caminhei lentamente até a saída do aeroporto. 

Os anos passaram. Não sei exatamente em que momento deixei de esperar que você voltasse. Talvez tenha sido aos poucos, como todas as coisas que aprendemos a aceitar sem perceber. A vida continuou para nós dois. Vieram novos lugares, novas pessoas, outras histórias. Mas, de vez em quando, quando entro em um aeroporto, ainda sinto alguma coisa diferente.

Às vezes penso em você naquele aeroporto. Penso no livro que carregava, no café esquecido e naquele último olhar antes de partir. Você partiu, e eu fiquei. O nosso caminho terminou naquele portão de embarque, mas não terminou dentro de mim. Você passou pela minha vida como quem chega a uma sala e, mesmo depois de ir embora, deixa a luz acesa.

C.M.Martins💖

Comentários

Mais lidas