O banco em frente à estação...
Ainda existe um banco em frente à antiga estação onde costumávamos esperar o trem das cinco. Passei por lá recentemente, depois de muitos anos, e fiquei alguns minutos observando o lugar. A estação parecia menor do que na minha lembrança, as árvores estavam maiores e o banco havia sido pintado de outra cor. Mesmo assim, reconheci imediatamente o canto onde Marcos costumava sentar.
Naquela época, acreditávamos que a vida seria exatamente como planejávamos. Falávamos sobre cidades distantes, uma casa com varanda e tardes tranquilas depois do trabalho. Éramos jovens o bastante para acreditar, que desejar alguma coisa com muita força era suficiente para fazê-la acontecer. Depois, como acontece com tantas pessoas, a vida escolheu caminhos que não combinavam mais com os nossos.
Ele foi embora numa manhã fria de julho. Durante algum tempo, imaginei que um dia voltaríamos àquela estação e continuaríamos nossas conversas exatamente de onde havíamos parado. Hoje, sei que algumas histórias não precisam ser retomadas para continuarem existindo. Eu me lembro... Lembro do último olhar, do trem desaparecendo ao longe e da certeza silenciosa de que aquele havia sido o nosso último encontro.
Isso que chamamos de saudade quando ela amadurece: não a vontade de trazer alguém de volta, mas a gratidão por ainda conseguir reconhecer uma parte da própria vida em um lugar que o tempo quase apagou.
C.M.Martins.💖
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